"a Caminho de Santiago", edição Lello, e o Paço de Lanheses























Extracto do livro "a Caminho de Santiago, O Roteiro do Peregrino", por Lourenço José de Almada (conde de Almada), Lello Editores, Janeiro de 2000

Pelourinho da Feira - no jardim do Paço de Lanheses


Pelourinho da Vila Nova de Lanheses

Este representava o símbolo da autonomia de jurisdição deste antigo concelho que tinha sido entregue aos Senhores do Paço de Lanheses pelos seus serviços prestados ao Reino.
No séc. XX, até aos dias de hoje, foi retirado para o jardim da entrada do seu solar, o Paço de Lanheses.
Este estava no Largo da Feira que, nessa altura, era igualmente propriedade da referida casa.


É Imóvel de Interesse Público (IIP), Decreto nº 23 122, DG, 1.ª série, n.º 231, desde 11 de outubro de 1933.

O desenho e parte da discrição fazem parte do arquivo da SIPA, que se pode ver em:
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2231



Paço de Lanheses - origem e evolução histórica




Foi o filho de um mercador de Viana do Castelo, com o mesmo nome de seu pai, João Martins da Rica, ou de Ricalde, e de uma fidalga da San Sebastian, na Biscaia, em Espanha, de seu nome D. Elvira Palomar e Angulo, que no séc. XVI, ao casar com Ana da Rocha, filha do Comendatário do mosteiro de S. Salvador da Torre, que, para manterem o seu estatuto de fidalgos, adquirem ou emprazam os terrenos do Paço de Lanheses.

Lanheses (Sta. Eulália) fazia parte do couto do referido convento. E como forma de rendimento futura, obtêm também, metade do padroado da freguesia.

Embora mantivessem casa na cidade, a sua descendência, que ganhou relevância ao longo das várias gerações e fazendo bons casamentos, sempre assumiu esta Quinta como o seu solar. Ainda se nota, a sua importância, por uma porta seiscentista da primitiva capela que está por baixo da casa, atrás de um dos arcos a nascente das escadas de acesso à entrada principal.

No principio do séc. XVIII, um dos filhos do 7º. Senhor desta casa, Frei Sebastião de Abreu Pereira de Castro, é designado para Desembargador do Paço e do conselho do Santo Oficio. Assumia assim um lugar de grande relevo na gestão da nação portuguesa de então. Tanto mais que, no tempo de D. João V, chegou a fazer as vezes de 1º Ministro.

Ao seu irmão mais velho, Josefh Pereira de Brito, conseguiu-lhe grandes favores e riqueza, nomeadamente o Senhorio do Lindoso, a patente de Sargento Mor de Infantaria paga, a mercê de Adjunto de Sala do General desta Província, a do Hábito de Cristo e a de Alcaide-Mor de Ferreira. Assim como, já que esta família tinha, de há varias gerações, fornos de cozer barro, possibilitou-lhe a oportunidade de fornecer telha para vários conventos que então estavam a ser construídos nomeadamente o de Mafra.

Foi por essa altura, 1723, que foi pedida a desactivação dos serviços religiosos, da antiga capela do seu solar, para um novo local de culto que iria ser construído. Este, a escassos 20mts do anterior, foi inaugurado, em 1756, e é o que ainda se mantém em utilização.

Analisando esse arranjo arquitectónico, comparando-o com o restante solar, e pela sua pedra de armas, Abreu, Castro, Brito Pereira, na varanda da entrada, vê-se que foi todo ele reconstruído nessa época e com uma remodelação geral. Apresenta a mesma traça e sem emendas, dando-lhe bastante uniformidade, o que vulgarmente não acontece.

Já em 29 de Abril de 1791, Lanheses é elevada a vila e isto por influência de um novo Desembargador do Paço (e do Reino), José Ricalde Pereira de Castro, sobrinho do primeiro e também ele irmão, da geração seguinte, do senhor desta nobre casa.

Como estes eram senhores desta freguesia, que anteriormente tinham trocado com a de Lindoso, foi-lhes dado o poder de jurisdição da mesma. Como esse acontecimento não estava previsto, até ser construída um edifício da câmara municipal, essas instalações foram asseguradas no Paço de Lanheses. Desses tempos ainda resta o seu pelourinho, monumento nacional, que está no jardim da sua entrada e a construção de um portão, de acesso ao terreiro do paço, que mais parece um arco triunfal.

Foram momentos de grande glória, até porque sendo um vínculo, além de muito rico, todo ele era realizado há volta de muito prestígio. Por isso a mãe de D. M. Francisca de Abreu Pereira Cirne Peixoto, estando ela viúva e a sua filha ser a herdeira, não teve dificuldade de arranjar para noivo o promissor 2º. Conde de Almada, D. Antão de Almada, Par do Reino e mais tarde Ajudante de Campo de El-Rei D. Miguel.

Embora sem as prerrogativas do passado, até porque os sucessivos governos liberais acabaram com os senhorios, fazendo desaparecer a Vila Nova de Lanheses, é na posse dos seus representantes e actuais condes que esta casa tenta conservar a mesma dignidade.

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